sábado, 15 de setembro de 2012

Ciência do Contexto e Jogos - O Futuro é Divertido

Considere esse cenário: você está em casa, sentado em frente ao seu computador trabalhando. O trabalho envolve a digitação de um texto importante (para o escritório ou para a universidade, não importa), e você está bastante concentrado reproduzindo na tela as anotações que fez em papel - colocado ao seu lado. Enquanto sua atenção está destinada ao texto no papel, seus dedos se movem rápidos e pressionam teclas alternadamente, exercitando todo aquele aprendizado de anos nas salas de chat (ou no curso de datilografia da igreja, se você tiver idade suficiente para tal). "Pronto!", você pensa, mas ao olhar para a tela após a digitação de palavras e mais palavras, você nota aquela caixa de diálogo piscante que tomou tanta atenção da entrada de dados que dizer "foco" é ser redundante. Em outras palavras, enquanto você literalmente perdia seu tempo digitando todo aquele texto, um maldito pop-up zombava do seu esforço pela sua desatenção da tela e pelo fato de que as caixas de som estavam desligadas e lhe impediram de ouvir os incessantes efeitos de pan-pan-pan.

Diga, isso já aconteceu com você? Não? Bom, você deve ser uma exceção. Ciência do contexto (context awareness) é o termo utilizado para identificar aplicações computacionais que sabem (ou seja, estão cientes) da situação ou das condições em que estão sendo utilizadas e, mais importante, que alteram seu comportamento conforme essas mudanças de contexto. Justamente, não seria muito legal se o Word percebesse que você está ali, digitando feito um bocó, e simplesmente esperasse você terminar para te mostrar aquela mensagem tãoooo importante de que tem atualizações para serem baixadas?

Essa é praticamente uma área de estudo famosa hoje em dia, com aplicações que utilizam sensores e dispositivos GPS como forma de modelar algum contexto e mudar seu comportamento - exemplos clássicos são smartphones que "sabem" que você está em aula ou no cinema, e sozinhos acionam o modo vibracall.

As estatísticas comprovam que seguramente você tem um telefone celular, e que muito provavelmente você tem um com capacidades além da mera realização de chamadas telefônicas. De fato, a tecnologia existente e sendo produzida anda permitindo a construção de aplicações cada vez mais "inteligentes" no sentido de conhecer o usuário. O interessante é que em se tratando de jogos eletrônicos e entretenimento em geral, isso não poderia ser diferente. Em verdade, eu acredito que o entretenimento é verdadeiramente o melhor âmbito para que o contexto seja utilizado na adaptação da execução de aplicativos.

Há diversos exemplos interessantes, entre eles:

  • Human Pacman (2006). Utilizando câmeras, coletes com sensores e dispositivos de GPS, você joga pacman com seus amigos, na rua. E coleta as pílulas virtuais com realidade aumentada. Qual é o contexto? A sua posição, posição dos seus amigos (fantasmas?), das pílulas, etc.

  • Undersound (2008). Que tal literalmente "deixar" suas músicas no banco de uma estação de metrô de Londres, e baixar uma outra deixada por alguém próximo às escadarias de outra estação? Essa é a ideia desse projeto. O contexto é, naturalmente, a proximidade a um local - não uma coordenada geográfica, mas em pequenos espaços em ambientes fechados mesmo.
  • UbiClub (2006). Neste clube noturno, a música, as luzes, o gelo seco, os vídeos, toda a climatização é dinamicamente alterada de acordo com o humor do público, que utiliza pulseiras sensíveis aos movimentos e à transpiração, localizadores internos e informações de relacionamento entre os clientes (redes sociais) para tornar tudo mais divertido. Cansou de dançar? Aquela sua amiga interessante está lá no bar, agora e sozinha. Interessante, não? O contexto? Além da posição interna e das relações entre os clientes, há fatores fisiológicas como batimentos cardíacos, transpiração e os próprios movimentos corporais. Interessantíssimo esse!
  • Public Interaction (2010). Uma tela enorme disponível no ponto de ônibus ou na estação de trens contendo peixes em um aquário virtual. Os peixes tem cores distintas e se movem acompanhando os transeuntes conforme eles cruzam em frente à tela. As pessoas não são identificadas (privacidade é importante!), mas relações próximas identificadas por meio das redes sociais (aquela moça ali é conhecida de alguém que eu conheço) são demonstradas discretamente por cores similares. Talvez no futuro os casais se conheçam assim também... O contexto é localização, movimento, relações, etc.
  • PhotoShoot (2010). Um dos mais interessantes. Duele com seu colega usando seus smartphones dotados de câmeras. O primeiro a tirar a foto do rosto do adversário vence o duelo. Mas primeiro, de costas um pro outro e contando os passos: 1... 2.... 3... já! O contexto inclui a posição relativa dos jogadores (na contagem dos passos para iniciar o duelo) e a própria foto tirada do rosto do oponente.
  • The Descriptive Camera (2012). Esse não é (ainda) uma aplicação existente e sim um protótipo com muito potencial. É uma câmera "fotográfica" que ao invés de tirar fotos tira descrições de cenas. Doido, não é? Com uma conexão à Internet, ela captura uma imagem e a envia para um provedor de micro-tarefas (como o Amazon's Mechanical Turk) onde pessoas são pagas para descrever o que vêem na foto. Então, o texto da descrição é enviado de volta para a câmera, que imprime localmente a descrição produzida. Bacana, não é? Imagina isso no futuro? O contexto pode literalmente ser qualquer coisa, e você poderá ter a ajuda de qualquer pessoa ao redor do mundo para obter informações turísticas, sugestões de atividades, e até mesmo reconhecer pessoas (medo...).
Tenho certeza que logo veremos muitas novas aplicações interessantes por ai. Jogos, principalmente. Estou ansioso. E você?

:wq
Luiz

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