quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Jogador, eu escolho você!

Estava eu dando uma lida rápida num livro muito bacana chamado "Ludificador", de autoria do Vince Vader do blog Game Analyticz (aliás, o livro pode ser baixado livremente aqui), quando me peguei pensando em algumas coisas após ler suas muito bem feitas referências a Huizinga e Caillois. Eu entendo de verdade a preocupação dos projetistas de jogos e demais profissionais e pesquisadores envolvidos no assunto em tentar caracterizar detalhadamente o que é um jogo. Essa caracterização é mesmo muito importante para que jogos melhores possam ser construídos. Mas será que já não é hora de diminuir um pouco com essa neura?


O próprio Vince diz em seu livro que o jogador é peça fundamental, pois sem ele não há jogo.  Sim, jogos precisam ter objetivos, mas o quão significativos esses objetivos devem ser para que o jogo seja divertido é algo bastante discutível (vide os milhares de humanos que acessam diariamente o Facebook para fornecer incansáveis cliques a vacas famintas). A mecânica é importante porque as regras precisam ser reconhecidas pelo jogador, mas pra mim elas significam um meio para um fim.

O que me parece mais importante, muito além da caracterização do jogo como produto, são as opções que ele fornece aos jogadores. O mundo é feito de escolhas, e são elas que nos atraem. Escolher o que fazer a seguir é a parte mais interessante, principalmente quando ela decorre de uma necessidade qualquer - que, de fato, pode ser tão fugaz como a mera curiosidade em se observar o resultado de uma ação.

Embora jogue desde minha mais tenra idade, eu tenho consciência de que como projetista de jogos sou ainda bastante iniciante. Mas, honestamente me parece muito mais importante caracterizar o jogador por meio de suas curiosidades, receios, experiências e preferências de ação, do que caracterizar o jogo como um produto genérico que serve para qualquer ser humano. É talvez por isso que eu me identifico muitíssimo com a abordagem do MDA (descrita no post anterior) a respeito das estéticas da diversão. Um jogo não inclui necessariamente todas elas, mas se o jogo é divertido para alguém isso significa que seu projeto foi direcionado para que esse alguém tivesse escolhas relacionadas a cada uma dessas dimensões estéticas. Faz sentido, não acha? É por isso que certos tipos de jogos são apelativos para algumas pessoas, e não para outras. Tanto do ponto de vista da fantasia, como da história, ou mesmo da arte da caixa...

:wq

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