quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Tenha compaixão pelo pobre homem esguio

Este post é uma reprodução do meu post original no blog Game 2 Next Level.

Se você também está pensando em seguir a carreira de projetista de jogos eletrônicos, aqui vai algo importante pra considerar. Deve ser óbvio pra qualquer um: jogos eletrônicos são compostos de hardware e software. Como um jogo é algo em que um ou mais jogadores atuam sobre diferentes opções para alcançar objetivos de (seu) interesse, também faz sentido dizer que o software é a peça fundamental, pois é o software que controla a oferta de opções, aplica as regras e apresenta os resultados das ações realizadas.

Onde eu quero chegar é que um jogo eletrônico não é um software comum, como o Microsoft Word ou o aplicativo que você usa pra fazer o seu imposto de renda. Esses softwares comerciais e científicos têm o propósito de resolver um problema concreto e por isso apresentam funções. Um jogo eletrônico tem única e exclusivamente o propósito de divertir, e por isso ele produz emoções. Se você já jogou Day of the Tentacle e riu, ou se já jogou Resident Evil e teve medo, apreensão ou ficou simplesmente tenso, então você entende o que eu quero dizer.

Por isso, o que faz um jogo eletrônico ser memorável não é realmente a sua tecnologia, mas sim as emoções que o jogo induz nos jogadores. Alguém pode argumentar que aquele tal jogo com gráficos maravilhosos é espetacular por causa da tecnologia X ou Y de aceleração de vídeo. Balela! Ele é espetacular porque é bonito, porque causa estupefação e tira o fôlego. A tecnologia é apenas o meio pelo qual isso acontece.

Veja, há inúmeros exemplos de jogos que não abusam tanto de novidades tecnológicas, mas fazem um sucesso tremendo. Um exemplo bacana é o Slender Game. Baseado em uma lenda urbana sobre um homem comprido (um homem esguio/delgado, por isso o nome “slender man” no original em inglês) e sem rosto que aparece de surpresa e sequestra crianças, o jogo explora o medo e a tensão de ter que encontrar objetos (cartas) em uma floresta usando apenas a visão e uma simples lanterna, mas com o risco constante de dar de cara com o tal homem esguio. O jogo é basicamente isso: cenários escuros, surpresas e uma música tensa e bem escolhida.

Interessantemente, esse jogo também se tornou popular porque os jogadores postaram na Internet vídeos com suas próprias sessões de jogo. Assistir aos sustos que os outros levam é, de fato, uma experiência à parte, que causa riso e uma diversão paralela que talvez nem tenha sido intencionada pelos desenvolvedores. De todas as formas, são esses tipos de experiências que eu procuro infundir nos jogos que eu projeto. Sempre fui bastante técnico e alguém que realmente gosta de programar, mas cada vez me distancio mais disso. Recentemente, um projeto de jogo eletrônico em que eu trabalhava simplesmente se transformou em um jogo de tabuleiro: afinal a experiência era mais importante e ela podia ser mais facilmente atingida por meios físicos que não fossem necessariamente eletrônicos.

Eu acredito que faz parte do processo de aprender a se tornar um projetista de jogos pensar de outras formas. O próprio jogo Slender Game tem seus méritos, mas poderia ter sido diferente. De fato, alguém poderia aproveitar a fama desse tema e fazer um jogo diferente, com uma outra mecânica que intencionamente estimule a produção de emoções diferentes. O video abaixo, chamado “Sympathy for Slender Man Song” (em uma tradução livre, “Canção de Compaixão pelo Homem Esguio“) traduz bem o que eu quero dizer.


Por isso, tenha compaixão pelo pobre homem esguio e faça mais um jogo.  :)

:wq

P.S.: Eis a letra da canção (e uma tradução livre).

Sympathy for Slender Man Song
(Canção de Compaixão pelo Homem Esguio)

Have you heard of the guy
(Já ouviu falar do cara)
who is ten feet tall
(que tem dez pés de altura)
scares people away
(assusta as pessoas)
'cos he's got no face at all
(porque ele simplesmente não tem rosto)

Has super long arms
(Tem braços bem longos)
with tentacle ends
(com pontas de tentáculos)
but the tragedy is
(mas a tragédia é)
he just wants to make friends
(que ele quer apenas fazer amigos)

Budum tum tum

Slender man
(Homem esguio)
sympathy for slender man
(compaixão pelo homem esguio)
he hangs out in the dark
(ele fica no escuro)
'cos he's got nothing to do
(porque não tem nada pra fazer)

Wore his very best suit
(Vestiu seu melhor terno)
just to impress you
(apenas pra te impressionar)
have sympathy for poor slender man
(tenha compaixão pelo pobre homem esguio)

He's too tall for a car
(Ele é muito alto pra um carro)
so he walks all the way
(então ele sempre anda)
he always tries to surprise
(ele tenta surpreender)
in case it is your birthday
(caso seja seu aniversário)

His breath is bad
(Seu hálito é ruim)
'cos he can't brush his teeth
(porque ele não pode escover os dentes)
he tried to take off his mask
(ele tentou tirar sua máscara)
and found a mask underneath
(e encontrou outra por debaixo)

He bumps his head
(Ele bate a cabeça)
when he enters a door
(quando passa por uma porta)
his shoes are shabby
(seus sapatos são gastos)
because it is hard to find size 24"
(porque é difícil encontrar tamanho 24 [polegadas])

His TVR is broke
(Seu gravador de TV está quebrado)
he is out of groceries too
(ele também está sem comida [em casa])
he's skinny
(ele é magricela)
'cos he saved the biggest portion for you
(porque deixou a maior parte pra você)

Budum tum tum

Slender man
(Homem esguio)
sympathy for slender man
(compaixão pelo homem esguio)
his raspy voice is just a common cold
(sua voz rouca é apenas um resfriado)
he's got so many arms
(ele tem tantos braços)
but nobody to hold
(mas ninguém pra abraçar)
have sympathy for poor slender man
(tenha compaixão pelo pobre homem esguio)

He hangs out with the trees
(Ele sai com as árvores)
because the trees don't judge
(porque as árvores não julgam)
his friend requests ignored
(seus pedidos de amizade são ignorados)
by Sadako and The Grudge
(por Sadako e The Grudge [personagems de filmes de horror])

sympathy for slender man
(compaixão pelo homem esguio)
he's always doing the best he can
(ele sempre faz o melhor que pode)
just don't let this song
(apenas não deixe essa canção)
get stuck in your head
(ficar grudada na sua cabeça)

or he'll show up tonight
(ou ele aparecerá esta noite)
at the end of your bed
(no pé da sua cama)
and no one meets slender
(e ninguém encontra o esguio)
without ending up dead
(sem terminar morto)

no sympathy for slender man
(sem compaixão pelo homem esguio)

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Honra, Bravura, Amor e Demais Interseções

Que saudade dos caveleiros medievais dos livros da minha infância. Lutavam por um ideal tão belo e inalcancável como as mulheres imaginadas pelos trovadores. Esse ideal era compartilhado por muitos, e com ele se construiam belíssimos castelos, jardins e ilhas misteriosas encobertas por neblina. Até piratas o tinham, mesmo constantemente envolvidos em suas ébrias falcatruas. Frágil, ainda assim era um sentimento latente e facilmente transmissível, tal como vírus de gripe. Protegia os frágeis e oprimidos, salvava donzelas em perigo e garantia que a cerveja do final do dia fosse sadia e gelada.

A música é uma das formas de arte que mais me fazem lembrar desses tempos que, talvez, nunca existiram realmente. Assim como esse ideal desconhecido, ela é enraizada num âmago individual que as vezes surge oportunamente para dizer que ainda existe apesar das obrigações e esquecimentos diários. E tal qual esse ideal, a música as vezes também é triste. Mas a tristeza é parte da vida, e nos faz lembrar de outros que compartilhavam tanto desse ideal a ponto de muito provavelmente terem sido fontes importantes para a nossa própria infecção.

Aqui vai, então, uma dessas. Espero que infecte alguém.

:wq
Luiz




Olde Village Lanterne
(Velha Lanterna da Vila)
Blackmore's Night


Don't shed a tear for me
(Não derrame uma lágrima por mim)
I stand alone
(Eu estou sozinho)
This path of destiny
(Este caminho do destino)
Is all my own
(É todo meu)
Once in the hands of fate
(Uma vez nas mãos do destino)
There is no choice
(Não há escolha)
An echo on the wind
(Um eco no vento)
You'll hear my voice...
(Você ouvirá minha voz...)

Some choose to fall behind
(Alguns escolhem cair pelo caminho)
Some choose to lead
(Alguns escolhem liderar)
Some choose a golden path
(Alguns escolhem um caminho dourado)
Laden with greed
(Pavimentado com ganância)
But it’s the noble heart
(Mas é o coração nobre)
That makes you strong
(Que faz você ser forte)
And in that heart, I'm with you all along...
(E nesse coração, eu estarei sempre com você...)

The olde village lanterne
(A velha lanterna da vila)
Is calling me onward
(Está me chamando a prosseguir)
Leading wherever I roam
(Liderando por onde quer que eu ande)
The olde village lanterne
(A antiga lanterna da vila)
A light in the dark
(Uma luz na escuridão)
Bringing me closer to home...
(Trazendo-me mais perto de casa...)

So when you think of me
(Assim quando você pensar em mim)
Do so with pride
(Faça-o com orgulho)
Honor and bravery
(Honra e bravura)
Ruled by my side
(Governada ao meu lado)
And in your memory
(E em sua memória)
I will remain
(Eu permanecerei)
I will forever be within the flame...
(Eu sempre estarei dentro da chama...)

Now at the journey's end
(Agora ao fim da jornada)
We've traveled far
(Nós viajamos longe)
And all we have to show
(E tudos que temos para mostrar)
Are battle scars
(São cicatrizes de batalha)
But in the love we shared
(Mas no amor que nós compartilhamos)
We will transcend
(Nós transcenderemos)
And in that love, our journey never ends...
(E nesse amor, nossa jornada jamais terminará...)


Don't shed a tear for me
(Não derrame uma lágrima por mim)
I stand alone
(Eu estou sozinho)
This path of destiny
(Este caminho do destino)
Is all my own
(É todo meu)
Once in the hands of fate
(Uma vez nas mãos do destino)
There is no choice
(Não há escolha)
An echo on the wind
(Um eco no vento)
You'll hear my voice...
(Você ouvirá minha voz...)

You'll hear my voice...
(Você ouvirá minha voz...)

You'll hear my voice...
(Você ouvirá minha voz...)

You'll hear my voice...
(Você ouvirá minha voz...)




segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Brincando de game design num parque de diversões

Antes de mais nada, eu quero deixar bem claro que esse documentário é totalmente falso (trata-se de um mockumentary - fonte original aqui). Nele, um grupo de cientistas apresentam suas pesquisas envolvendo criações inovadoras de brinquedos de parques de diversão com o intuito de reconfigurar o cérebro humano para que as pessoas sejam mais felizes.

Eu achei esse video muito interessante por vários motivos:

  1. Eu queria mesmo brincar em muitos dos brinquedos! O Spheroton seria muito doido!!
  2. O roteiro é bem legal e muito bem feito.
  3. Os efeitos especiais são bastante legais.
  4. Etc
Dentre os "etc", ali do item 4, um em especial é que o que os "cientistas" estão fazendo é um trabalho de game design. Afinal, eles buscam criar elementos físicos (os brinquedos) que produzam sensações específicas (emoções) nas pessoas que os utilizam. Pensar em máquinas com correias, carrinhos e cabines sendo lançadas nos faz entender melhor porque a palavra "mecânica" se aplica bem aqui, não? :)

Bom, veja o video e aproveite. Você pode se chatear um pouco ao perceber que os brinquedos (infelizmente) não existem de verdade, mas o video é divertido.



:wq
Luiz